Banner Tchê Milk - 14-10-22Supermercado Kramer - 8-2-23VALUPI Fitness Academia
Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 26/05/2026 as 00:59:48

Financeirização e altos salários de executivos ampliam desigualdade, aponta estudo

Pesquisa mostra que os 10% mais ricos ficaram com quase 60% da renda do país


A desigualdade de renda no Brasil costuma ser medida a partir de indicadores ligados aos trabalhadores de baixa renda, à pobreza e à informalidade. Uma pesquisa de doutorado desenvolvida no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), porém, direciona o foco para o topo da pirâmide social e mostra como a financeirização da economia e os mecanismos de governança corporativa têm ampliado a concentração de renda entre os mais ricos.

A tese, intitulada “Desigualdade de renda pelo topo: ensaios críticos sobre financeirização, governança corporativa e remuneração de CEOs e diretores executivos no Brasil”, foi desenvolvida pelo pesquisador Gabriel Quatrochi, sob orientação do professor Célio Hiratuka.

O estudo combina análise teórica e dados empíricos para investigar o crescimento da remuneração de executivos de empresas listadas na Bolsa e os impactos desse processo sobre a desigualdade de renda no país.

Segundo a pesquisa, os indicadores tradicionais não conseguem captar plenamente a concentração de renda porque deixam de fora ganhos financeiros, dividendos e remunerações variáveis recebidas pelos estratos mais ricos da população.

Com base em dados da World Inequality Database, o estudo aponta que, entre 2000 e 2022, o 1% mais rico concentrou, em média, 22% da renda nacional. Já os 10% mais ricos ficaram com quase 60% da renda do país, enquanto a metade mais pobre da população permaneceu com menos de 10%.

Para Quatrochi, a desigualdade brasileira não pode ser explicada apenas por diferenças de produtividade ou qualificação profissional. Segundo ele, fatores institucionais e financeiros têm papel central nesse processo.

Governança corporativa e financeirização

A tese também analisa a expansão da chamada governança corporativa no Brasil e sua relação com a financeirização das empresas.

De acordo com o pesquisador, o modelo adotado nas últimas décadas priorizou a maximização do retorno aos acionistas e alterou os incentivos dentro das corporações. Nesse contexto, a remuneração dos executivos passou a ser apresentada como forma de alinhar interesses entre gestores e investidores.

No entanto, o estudo questiona a efetividade desse argumento. Segundo Quatrochi, a literatura internacional nunca encontrou consenso sólido de que salários elevados de CEOs estejam diretamente ligados ao desempenho das empresas.

A pesquisa aponta ainda que executivos influenciam ativamente a definição dos próprios rendimentos por meio de redes de relacionamento dentro dos conselhos de administração. Em muitos casos, integrantes da alta gestão participam simultaneamente de conselhos de diferentes empresas, criando um sistema de influência cruzada que tende a manter os salários em patamares elevados.

Salários de CEOs crescem acima do desempenho das empresas

A análise econométrica realizada na tese avaliou empresas brasileiras entre 2010 e 2022 e concluiu que a evolução da remuneração executiva não acompanha, de forma consistente, os resultados operacionais ou financeiros das companhias.

Segundo o pesquisador, o crescimento desses rendimentos ocorreu em ritmo muito superior ao observado em outros segmentos da economia.

O estudo também destaca que, entre 2010 e 2017, decisões judiciais suspenderam a obrigatoriedade de divulgação detalhada da remuneração dos executivos. Nesse período, os salários cresceram de forma mais acelerada. Após a retomada da transparência, em 2018, houve desaceleração no avanço dos pagamentos.

Para o professor Célio Hiratuka, a pesquisa mostra que o fenômeno observado em economias como a dos Estados Unidos também está presente no Brasil.

“A elevação das remunerações dos CEOs não está associada, de forma robusta, a melhores resultados das empresas ou da economia”, afirmou o orientador da tese.

Tributação favorecida amplia concentração

Outro ponto levantado pela pesquisa é o tratamento tributário dado à remuneração dos altos executivos.

Segundo o estudo, parte significativa dos ganhos recebidos por CEOs e diretores — especialmente em ações e opções de compra — possui tributação reduzida ou diferenciada, o que reforça a regressividade do sistema tributário brasileiro.

A tese também critica fragilidades nos mecanismos de fiscalização e independência dos conselhos corporativos.

“Na prática, o CEO costuma influenciar a composição do conselho, que por sua vez é formado por outros executivos, criando um ambiente em que a régua de remuneração tende a se manter elevada”, afirmou Quatrochi.

Ao final do trabalho, o pesquisador sustenta que a desigualdade brasileira é resultado não apenas de diferenças econômicas individuais, mas também de estruturas institucionais ligadas ao sistema financeiro, à governança das empresas e às regras tributárias do país 

ICLN



Nome:

E-mail:

Comentário:

Cidade:


Comentários


Representações BirckFiltros EuropaComercial Ótica Santa Rosa - RodapéÓtica Schaefer - Rodapé
Ótica Schaefer - RodapéComercial Ótica Santa Rosa - RodapéFiltros EuropaRepresentações Birck