Emater/RS-Ascar e Seapi reforçam prevenção à seneciose durante período crítico de ocorrência da maria-mole

A Emater/RS-Ascar e a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), estão desenvolvendo ações para orientar técnicos e produtores rurais sobre o manejo preventivo da maria-mole. Durante o outono e o inverno, aumenta o risco de ingestão dessa planta tóxica pelos bovinos.
Com a redução da disponibilidade de forragem nesse período, as plantas das espécies do gênero Senecio encontram-se predominantemente na fase de plântula e roseta, misturadas à pastagem, o que dificulta sua identificação e favorece o consumo pelos animais durante o vazio forrageiro.
De acordo com a coordenadora estadual de defesa sanitária animal da Emater/RS-Ascar, Thais Michel, a intoxicação por Senecio spp., denominada seneciose, é uma das principais causas de mortalidade de bovinos por plantas tóxicas no Rio Grande do Sul. “A enfermidade é provocada pela maior resistência desses animais à toxicidade da planta, que causa lesões hepáticas cumulativas, irreversíveis e sem tratamento específico. Dessa forma, a prevenção e o controle da infestação constituem as principais estratégias para reduzir as perdas econômicas e sanitárias na bovinocultura”, afirma.
As ações de educação sanitária são fundamentadas nos resultados da pesquisa "Emergência e quantificação da infestação de Senecio spp. (maria-mole)", conduzida em propriedades rurais da área de abrangência do IPVDF. O estudo caracterizou a dinâmica de emergência das plantas e quantificou os níveis de infestação em áreas de campo natural, fornecendo informações técnicas que subsidiam o planejamento das estratégias de controle. Entre os principais resultados, verificou-se elevada ocorrência de plantas jovens durante os meses de inverno, justamente no período de menor disponibilidade de pastagem, reforçando a necessidade de monitoramento e intervenção precoce.
As informações geradas pela pesquisa passaram a subsidiar as ações previstas no contrato de prestação de serviços entre a Emater/RS-Ascar e a Seapi para a área de Defesa Sanitária Animal. Entre as metas estabelecidas para 2026 estão a realização de visitas técnicas direcionados para orientação aos produtores quanto ao risco potencial da seneciose e a promoção de um webinar técnico estadual, destinado à divulgação dos resultados da pesquisa e das recomendações de manejo.
As orientações técnicas enfatizam que o controle da maria-mole deve ser priorizado durante a fase inicial de desenvolvimento das plantas, antes da emissão das inflorescências e da produção de sementes. “Nessa etapa, as medidas de manejo apresentam maior eficiência e contribuem para reduzir o banco de sementes no solo e a infestação nos ciclos seguintes”, orienta Thais.
Além do controle direto da planta, recomenda-se a adoção de práticas integradas de manejo das pastagens, incluindo manutenção de adequada oferta de forragem, ajuste da carga animal para evitar o superpastejo, monitoramento periódico das áreas infestadas e adoção das estratégias de controle recomendadas para cada situação. Em sistemas compatíveis, o uso de ovinos também pode constituir uma ferramenta complementar de manejo, em razão da maior resistência desses animais à toxicidade da planta.
A integração entre pesquisa, assistência técnica e educação sanitária fortalece a capacidade de prevenção da seneciose e amplia a transferência de conhecimento aos produtores rurais, contribuindo para a redução dos prejuízos causados pela intoxicação por Senecio spp. na bovinocultura do Rio Grande do Sul.
Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar


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