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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 28/07/2026 as 00:32:03

ESTATAL DO GOVERNO LULA USA R$ 35 MILHÕES EM CONVÊNIO PARA PAGAR REDE DE ALIADOS POLÍTICOS

Reportagem aponta que convênio entre a Portos Rio e a UFRJ destinou bolsas a centenas de pessoas com vínculos políticos; estatal, universidade e citados negam irregularidades.


Rio de Janeiro. Uma investigação jornalística revelou que a PortosRio, empresa pública federal vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, destinou parte de um convênio de R$ 35 milhões com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, para pagar centenas de bolsistas com fortes vínculos políticos.

De acordo com documentos e folha de pagamento analisados, dos 544 bolsistas da primeira parcela do convênio, pelo menos 305 teriam conexões diretas com a classe política.

Entre eles estão ex-candidatos, cabos eleitorais, filiados partidários, ex-assessores e parentes de políticos. Muitos são ligados ao ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho Carneiro, Republicanos, principal aliado de Lula na Baixada Fluminense.

O convênio, firmado sem licitação, previa estudos técnicos e ações de integração entre portos e comunidades. No entanto, recursos da estatal teriam sido direcionados a beneficiários que, em alguns casos, atuam ou atuaram em campanhas eleitorais.

Relatos indicam valores individuais que chegam a dezenas de milhares de reais. Parte dos contemplados possui baixa qualificação formal para atividades acadêmicas ou técnicas.

Waguinho, que apoiou Lula no segundo turno de 2022, consolidou influência na PortosRio nos últimos meses. Aliados dele ocupam cargos estratégicos na empresa. A nomeação e o fortalecimento desse grupo político ocorreram com aval do Palácio do Planalto, segundo apurações anteriores da imprensa.

A PortosRio afirmou que não contrata diretamente os bolsistas e que o convênio tem caráter institucional com a UFRJ, voltado à capacitação e projetos. A universidade reforça que os pagamentos envolvem dois tipos de bolsas, com acompanhamento de frequência em cursos online. Waguinho nega participação na indicação dos beneficiários.

O caso ocorre em ano eleitoral e reacende debates sobre o uso de estatais e recursos públicos para fortalecer bases políticas. Críticos veem o episódio como exemplo de aparelhamento do Estado, no qual verbas destinadas a finalidades técnicas seriam convertidas em mecanismo de sustentação de redes de influência.

Até o momento, não há confirmação de investigações formais por parte do Ministério Público Federal ou do Tribunal de Contas da União. Mas o volume de nomes politicamente conectados na lista de bolsistas deve atrair atenção dos órgãos de controle.

O episódio expõe os desafios de governança em estatais federais e levanta questionamentos sobre a separação entre interesses políticos e o uso de dinheiro público em um contexto de ajuste fiscal e promessas de maior transparência.

Foto: Divulgação

 Por: 360


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