Mundial 2026 gerou 6 mil milhões em apostas e sete suspeitas de manipulação. Polymarket está no centro da polémica

O Mundial 2026 foi o maior evento de apostas em mercados de previsão da história. A Polymarket e a Kalshi geraram mais de 6,2 mil milhões de dólares (cerca de 5,44 mil milhões de euros) em volume combinado apenas no mercado do vencedor do torneio, quebrando todos os recordes anteriores, incluindo os 4 mil milhões movimentados nas presidenciais americanas de 2024.
Um total estimado de 240 mil milhões de dólares em apostas desportivas foram colocadas durante o torneio, quase o dobro do registado no Mundial do Qatar em 2022. Mas agora que o torneio terminou, levanta-se a questão: terão alguns desses mercados sido alvo de manipulação?
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O Grupo de Copenhaga, um organismo internacional independente dedicado à deteção e prevenção da manipulação de competições desportivas, emitiu sete alertas relativos a possíveis irregularidades de apostas durante o Mundial 2026, contradizendo diretamente as conclusões da FIFA. A equipa de integridade da FIFA, que trabalhou com o FBI e a Interpol e monitorizou os mercados de apostas em tempo real ao longo dos 104 jogos, concluiu que não existiram indicações de atividade de apostas suspeita ou manipulação de resultados.
Menos de 24 horas depois, o Grupo de Copenhaga publicou conclusões diferentes. Segundo este, os casos mais flagrantes apontados pelo relatório envolvem diretamente a Polymarket. Cerca de 4,8 milhões de dólares foram apostados na plataforma em mercados que apostavam que a Espanha não derrotaria Cabo Verde, um jogo que terminou com um improvável empate a zero na fase de grupos. O organismo também assinalou uma demora de três minutos e meio do VAR para anular um golo de Ferran Torres na vitória da Espanha sobre a Arábia Saudita, durante a qual se registou atividade de apostas em jogo altamente irregular.
O caso considerado mais específico e difícil de explicar envolve o avançado norte-americano Folarin Balogun. A Polymarket abriu a 2 de julho um mercado a perguntar se Balogun jogaria contra a Bélgica, precisamente no dia em que o jogador foi expulso no jogo contra a Bósnia-Herzegovina. A FIFA só confirmou oficialmente a 5 de julho que a sua suspensão tinha sido levantada, tornando-o elegível para jogar. O Grupo de Copenhaga destacou que, dos 14 jogadores expulsos durante o torneio, o de Balogun foi o único que gerou um mercado de previsão desta natureza na plataforma.
O grupo acabaria por pedir à FIFA explicações sobre a diferença de tratamento, num caso onde a reversão da suspensão foi amplamente atribuída a pressão direta do Presidente Donald Trump. Mas as suspeitas de irregularidades não ficam por aqui. Uma análise independente concluiu que cerca de 200 milhões de dólares em apostas colocadas na Polymarket entre janeiro e junho de 2026 apresentavam características associadas a possível “insider trading” (negociações com informação privilegiada), concentradas em eventos geopolíticos como a guerra do Irão e a situação na Venezuela.
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Cerca de 57% das carteiras que lucraram com essas apostas foram criadas nas 24 horas anteriores à colocação das apostas. A Polymarket afirmou ter reforçado os seus sistemas de monitorização e ter reportado às autoridades cerca de 100 endereços de carteiras suspeitos. O Grupo de Copenhaga sublinhou que os alertas emitidos não constituem prova de manipulação, mas sim uma combinação de indicadores, incluindo movimentos incomuns de “odds”, rumores nas redes sociais e informações de fontes de inteligência, que justificam investigação adicional. A FIFA não comentou as conclusões do organismo independente.


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