Itamaraty barra funcionários americanos e revela o medo que o governo tem de perguntas incômodas

Quando um governo democrático impede a entrada de diplomatas estrangeiros que querem discutir a integridade de eleições, a pergunta que surge é automática: o que há para esconder?
O Itamaraty negou, na sexta-feira 24, vistos a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano — Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente da mesma área. Ambos planejavam visitar Brasília entre 27 e 30 de julho, antes das eleições gerais de outubro.
A justificativa oficial do governo brasileiro é reveladora: a missão “levantaria dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral” e “poderia interferir no processo”.
Releia essa frase.
Discutir a integridade de um sistema eleitoral é, agora, uma ameaça a esse sistema. Perguntar sobre a robustez das urnas é desestabilizar as urnas. Questionar é interferir.
Mas há um detalhe.
O Brasil, historicamente, enviou observadores eleitorais a dezenas de países. O próprio TSE mantém programas de cooperação internacional em matéria eleitoral. O país recebe missões de observação da OEA com regularidade. Quando a missão vem de Washington sob a gestão de Donald Trump, porém, a conversa muda de tom. Aí vira “interferência”.
E é aí que a história complica.
O Departamento de Estado afirmou que a visita fazia parte da agenda regular do órgão. Barnes e Samson participariam de reuniões com autoridades, representantes da sociedade civil e líderes religiosos para discutir democracia, liberdade religiosa, liberdade de expressão e integridade eleitoral. Um porta-voz americano foi categórico: “Qualquer insinuação de que se trataria de uma manobra para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada.”
Portal Contra Fatos

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