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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 23/08/2026 as 00:24:58

Cientistas observam Marrocos com imagens de satélite e descobrem uma enorme mancha vermelha

Uma imagem captada pelo satélite Copernicus Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia (ESA), revelou uma extensa faixa vermelha na região de Ouarzazate, em Marrocos.


Uma imagem captada pelo satélite Copernicus Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia (ESA), revelou uma extensa faixa vermelha na região de Ouarzazate, em Marrocos. Apesar do aspeto invulgar, a mancha não corresponde a nenhum fenómeno anómalo: resulta de uma técnica de processamento de imagens utilizada pelos cientistas para analisar a vegetação e torna-se particularmente intensa devido às condições existentes na região durante o mês de janeiro 

As imagens da Terra obtidas a partir do espaço permitem observar, numa única perspetiva, elementos que no solo podem parecer gigantescos e difíceis de delimitar. Montanhas, desertos, cidades, rios e grandes extensões de vegetação assumem uma escala completamente diferente quando vistos por um satélite. Normalmente, as imagens apresentam uma paleta dominada pelo azul dos oceanos, pelos tons castanhos das zonas áridas e pelo verde associado à vegetação.

Uma fotografia captada sobre Marrocos pela Agência Espacial Europeia mostra, contudo, uma paisagem bastante diferente. Na região de Ouarzazate, no centro-sul do país, destaca-se uma extensa faixa de vermelho vivo que atravessa vários quilómetros do território. O fenómeno despertou atenção precisamente pela intensidade da cor, mas a explicação está na tecnologia utilizada para obter e processar a imagem. 

A explicação está no infravermelho

A imagem foi captada pelo satélite Copernicus Sentinel-2, integrado no programa europeu de observação da Terra, e não corresponde a uma fotografia convencional, tal como seria percecionada pelo olho humano.

Os especialistas da ESA explicam que se trata de uma imagem em falso colorido, processada através da utilização do canal do infravermelho próximo do Sentinel-2. Esta combinação de bandas é particularmente útil para estudar a vegetação, uma vez que permite identificar a sua densidade e avaliar o seu estado com maior precisão. 

A razão está no comportamento da vegetação perante diferentes comprimentos de onda. As plantas absorvem a luz vermelha, enquanto refletem a luz verde e, sobretudo, a radiação no infravermelho próximo. É precisamente essa diferença que permite aos instrumentos dos satélites distinguir áreas com maior ou menor concentração de vegetação.

Segundo os especialistas da ESA, quando esta combinação de bandas é utilizada, as zonas onde existe vegetação mais densa aparecem representadas num vermelho particularmente intenso. Assim, aquilo que numa imagem convencional seria predominantemente verde surge nesta representação com uma tonalidade vermelha muito mais forte.

A enorme mancha visível sobre Marrocos não é, por isso, uma alteração da cor real da paisagem, mas o resultado de uma técnica científica concebida para tornar determinadas características da superfície terrestre mais fáceis de identificar e analisar.

Uma técnica utilizada para estudar a vegetação

A utilização de cores artificiais em imagens de satélite é uma prática habitual na observação da Terra. Em vez de reproduzirem simplesmente aquilo que o olho humano vê, os instrumentos podem combinar diferentes bandas do espectro eletromagnético para destacar determinadas propriedades da superfície.

No caso da imagem de Ouarzazate, a utilização do infravermelho próximo permite evidenciar a vegetação que, numa fotografia convencional, poderia passar mais despercebida. Quanto mais densa for a cobertura vegetal, mais evidente tende a ser a representação em vermelho 

Esta metodologia é utilizada pelos cientistas para avaliar não apenas a distribuição da vegetação, mas também a sua densidade e o seu estado. A informação obtida através dos satélites pode, assim, revelar diferenças que não seriam facilmente percetíveis numa fotografia convencional da mesma região.

A imagem de Marrocos constitui um exemplo particularmente expressivo desta técnica porque a diferença entre a aparência real da paisagem e a representação obtida através do infravermelho é muito acentuada.

Janeiro ajuda a explicar a intensidade do vermelho

Existe ainda outro elemento que contribui para explicar a intensidade extraordinária da mancha vermelha observada na imagem: a altura do ano em que a fotografia foi obtida.

A imagem foi captada em janeiro, período que corresponde à época das chuvas naquela região de Marrocos. A maior disponibilidade de água favorece uma vegetação mais densa, o que, por sua vez, aumenta a intensidade da resposta captada pelo sensor no infravermelho próximo.

As condições hidrológicas também desempenham um papel importante. Durante este período, os rios transportavam maiores volumes de água, contribuindo para destacar ainda mais as áreas associadas à vegetação e aos cursos de água na imagem processada 

É essa conjugação entre uma paisagem mais verde devido à época chuvosa e uma técnica de representação baseada no infravermelho que produz o impressionante resultado visual observado na fotografia.

Desta forma, a enorme mancha vermelha que atravessa a região de Ouarzazate não representa uma ocorrência misteriosa ou uma transformação súbita da superfície de Marrocos. É antes uma representação científica da vegetação, criada a partir da informação recolhida pelo Sentinel-2 e particularmente eficaz para mostrar a quantidade e o estado da cobertura vegetal.

Uma paisagem muito diferente daquela que os olhos veem

A imagem evidencia também como a observação da Terra a partir do espaço pode revelar características que permanecem praticamente invisíveis numa fotografia convencional.

Do solo, a vegetação da região seria observada sobretudo através dos seus tons verdes. Na imagem do Sentinel-2, contudo, a utilização do infravermelho próximo transforma visualmente essa mesma vegetação numa faixa de vermelho brilhante.

O resultado permite aos investigadores obter uma leitura mais detalhada da paisagem e identificar áreas onde a vegetação é mais abundante. É precisamente por isso que as imagens em falso colorido constituem uma ferramenta importante para os estudos científicos realizados através da observação por satélite.

No caso de Ouarzazate, a intensidade da cor está diretamente relacionada com a época em que a imagem foi captada: janeiro é um período chuvoso na região, o que proporciona condições para uma vegetação mais densa e para uma maior disponibilidade de água nos rios 

A fotografia que, à primeira vista, parece mostrar uma enorme mancha vermelha sobre Marrocos acaba, assim, por revelar algo bem mais terreno: a presença e a intensidade da vegetação numa região que, quando observada a partir do espaço com recurso a diferentes bandas do espectro, ganha uma aparência completamente distinta. 

 Pedro Zagacho Gonçalves


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