Braskem pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de US$ 10,3 bilhões

A Braskem protocolou, na madrugada desta segunda-feira, 24 de agosto, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de US$ 10,3 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 54 bilhões pela cotação atual.
O pedido ocorreu no encerramento do período de proteção obtido pela companhia contra ações de cobrança e execução de credores, enquanto eram realizadas negociações para reorganizar o passivo financeiro.
Com a solicitação, a empresa inicia uma nova etapa de negociação com os credores. O processo deverá envolver a definição de condições para reorganização das dívidas, incluindo prazos, formas de pagamento e eventuais períodos de carência.
A recuperação extrajudicial consiste em uma negociação realizada diretamente entre a empresa e seus credores, com posterior análise e homologação pela Justiça. O mecanismo é diferente da recuperação judicial, que envolve um processo judicial mais amplo desde o início.
Na recuperação extrajudicial, as condições do plano são negociadas previamente com os credores. O acordo pode estabelecer, entre outras medidas, prazos maiores para pagamento e períodos de carência.
Dívida supera US$ 10 bilhões
Na sexta-feira (21), a Braskem informou que possui mais de US$ 10 bilhões em dívidas incluídas no processo de reestruturação.
Em documento encaminhado ao mercado, a companhia afirmou que vinha avaliando alternativas para se proteger de eventuais medidas adotadas por credores enquanto avançavam as negociações para reorganização da dívida.
Segundo a empresa, as conversas com os credores foram intensificadas nas últimas semanas e diferentes possibilidades para reorganização do passivo financeiro estavam sendo analisadas.
Parte significativa da dívida da Braskem está relacionada a títulos emitidos no exterior e adquiridos por investidores.
Reestruturação da Braskem Idesa
A Braskem também participa de uma reestruturação financeira da sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos por meio do Chapter 11.
Situação da empresa
Criada em 2002 a partir da integração de ativos da antiga Odebrecht, atualmente Novonor, e do Grupo Mariani, a Braskem atua no setor petroquímico e produz resinas como polietileno, polipropileno e PVC, utilizadas na fabricação de embalagens, peças, tubos e outros produtos.
A situação financeira da companhia ocorre em um cenário de dificuldades para o setor petroquímico, marcado por excesso de oferta internacional, redução das margens e demanda abaixo das expectativas.
A empresa também enfrenta impactos financeiros relacionados às obrigações decorrentes do caso envolvendo a exploração de sal-gema em Alagoas. O problema provocou instabilidade e afundamento do solo em áreas de Maceió e levou à desocupação de imóveis e remoção de moradores.


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