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Por Donato Heinen. Publicado em 25/08/2026 as 18:49:54

O filho pródigo pesa no colo: Lula teme que Lulinha arraste sua reeleição para o ralo

Investigações da PF sobre Lulinha por tráfico de influência mudam o humor de Lula e acendem alerta na campanha pela reeleição presidencial


Lula

Há poucas semanas, o presidente Lula era descrito como tranquilo e bem-humorado. Sorridente, confiante, dono da narrativa. Bastaram as investigações da Polícia Federal sobre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva — o Lulinha —, e sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para que o humor presidencial mudasse de forma drástica.

A informação é da jornalista Bela Megale, de O Globo, e pinta um retrato que o Planalto preferiria manter guardado a sete chaves: Lula está apreensivo. Preocupado. E, pela primeira vez em muito tempo, sem uma resposta pronta para o problema que bate à sua porta.

Mas há um detalhe.

O problema não vem de fora. Não é obra da oposição, não é fake news, não é golpe midiático. O problema tem nome, sobrenome e laço de sangue.

Publicamente, Lula repete o mantra de sempre: quem errou deve responder. Diz que não interferiu nas investigações. Faz pose de estadista republicano que respeita as instituições. Bonito no discurso.

Tribunais e Poder Judiciário

Em conversas reservadas, porém, a história é outra. O presidente admite — segundo integrantes do próprio governo — que é difícil dissociar sua imagem pessoal das crises envolvendo Lulinha e Marcola. E avalia que o caso pode ter impacto decisivo na eleição.

Traduzindo: Lula sabe que o eleitor não separa pai de filho quando o filho é investigado por suspeita de tráfico de influência. E sabe que o discurso de “não tenho nada a ver com isso” tem prazo de validade curtíssimo.

Agora compare.

Lula passou anos martelando que as investigações contra ele e sua família durante a Lava Jato eram perseguição política. Armação. Lawfare. Mas quando é a Polícia Federal do seu próprio governo que investiga seu filho — o que fazer? Chamar sua própria PF de perseguidora? 

A contradição é tão gritante que nem os mais fiéis escudeiros do PT conseguem montar uma narrativa convincente. E o silêncio constrangido dos aliados diz mais do que qualquer nota oficial. 

Os números já começam a falar. Pesquisa Datafolha recente mostrou Lula com 47% das intenções de voto em eventual segundo turno — oscilação de um ponto para baixo em relação a julho. Flávio Bolsonaro permaneceu com 43%. A oscilação está dentro da margem de erro, é verdade. Mas na campanha petista, o dado acendeu um alerta que ninguém consegue ignorar.

E é aí que a história complica.

Além das investigações, Lula enfrenta disputas internas no PT e na própria campanha por espaços de poder. O partido que deveria estar unido para a batalha eleitoral está ocupado demais brigando entre si. O presidente pede união. Mas como pedir união quando o maior fator de desgaste da campanha é justamente o que ninguém no partido quer discutir em voz alta?

A pergunta que ninguém faz é simples: o que exatamente Lulinha fazia tão perto do poder? Qual era seu papel? Que portas ele abria, para quem e a troco de quê?

Lula pode repetir quantas vezes quiser que não interferiu nas investigações. Pode jurar que respeita o trabalho da PF. Pode até acreditar nisso. Mas o eleitor que vê o filho do presidente sob investigação por tráfico de influência não precisa de uma sentença judicial para tirar suas próprias conclusões.

O presidente que construiu uma carreira inteira denunciando o uso do poder em benefício próprio agora precisa explicar por que seu próprio filho está no centro de uma investigação sobre exatamente isso. A ironia não é sutil. É brutal.

E nenhum ponto de pesquisa dentro da margem de erro vai esconder o fato de que, desta vez, o problema de Lula não tem culpado externo conveniente. O problema mora dentro de casa.

Contra Fatos

 

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