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Por Donato Heinen. Publicado em 26/08/2026 as 14:12:33

Grupo que invadia sistema de cartões e fazia compras fraudulentas é alvo de operação

Mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão são cumpridos em três cidades do RS, além de MG e SP


Operação Tessera Signata cumpre oito mandados de prisão preventiva no RS, em MG e em SP. Polícia Civil / Divulgação

Uma organização criminosa suspeita de invadir o sistema de uma operadora de cartões, aumentar limites e usar os dados para realizar compras fraudulentas é alvo de uma operação da Polícia Civil nesta quarta-feira (26). A Operação Tessera Signata cumpre oito mandados de prisão preventiva e 28 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e em São Paulo. Até o momento, seis pessoas foram presas na ação.

As ordens judiciais são cumpridas pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos em Viamão e Gravataí, na Região Metropolitana, e Balneário Pinhal, no Litoral Norte, além de Conselheiro Lafaiete (MG) e Indaiatuba (SP). 

Segundo a apuração, o grupo era dividido em núcleos, com funções específicas. Em Minas Gerais, um casal é apontado como responsável pela invasão do sistema da empresa. Em Viamão, ficava o núcleo operacional, responsável por utilizar os dados obtidos, recrutar pessoas para ceder contas bancárias e movimentar os valores.

Grupo tentava comprar mercadorias usando números e senhas de cartões que não pertenciam a eles.

A dupla havia feito uma primeira compra de uma caixa de som, por volta do meio-dia. No final da tarde, voltou ao mesmo estabelecimento para adquirir novamente o mesmo produto. A repetição da compra chamou a atenção dos funcionários, que acionaram a Brigada Militar. Os dois foram presos.

A análise dos celulares apreendidos levou os investigadores até um grupo em um aplicativo de mensagens, em que os integrantes recebiam orientações sobre como utilizar os cartões, quais mercadorias deveriam ser adquiridas, como separar os produtos e como guardar as notas fiscais.

A polícia identificou que o esquema era mais amplo do que a atuação dos dois executores presos em flagrante. De acordo com as apurações, o núcleo técnico, sediado em Minas Gerais, teria obtido na dark web e na deep web credenciais de acesso que haviam vazado. Uma dessas credenciais, que era válida, teria sido utilizada para acessar remotamente o sistema de uma operadora de cartões de crédito e benefícios.

— Eles conseguiam nessa operadora identificar usuários e aumentar limites. E repassavam esses cartões para os criminosos que iam até as lojas comprar esses produtos, fazendo uso de limites que não eram aqueles contratados — afirma o delegado. 

A empresa, que tem sede no Litoral Norte, administra cartões utilizados, por exemplo, para alimentação, combustível e manutenção de frotas. Entre os dias 11 e 12 de novembro de 2025, os criminosos teriam realizado 217 operações no sistema da empresa em poucas horas, incluindo consultas, alterações e manipulações de informações financeiras dos clientes da operadora.

Depois disso, os números dos cartões e as respectivas senhas eram enviados ao núcleo operacional em Viamão. Com os dados em mãos, integrantes do grupo se deslocavam até estabelecimentos credenciados pela operadora. As compras identificadas pela investigação ocorreram principalmente em supermercados de Novo Hamburgo e Xangri-lá.

Entre os produtos adquiridos estavam fardos de bebidas alcoólicas e equipamentos eletrônicos, principalmente aparelhos de som. A mercadoria era revendida posteriormente. As notas fiscais também tinham uma função no esquema. Segundo a polícia, elas eram utilizadas para controlar os valores obtidos com as compras fraudulentas e, principalmente no caso dos equipamentos eletrônicos, para dar aparência de origem lícita aos produtos quando fossem revendidos.

Lavagem de dinheiro

A investigação também identificou uma estrutura para ocultar a origem dos valores obtidos por meio das fraudes. Segundo a Polícia Civil, integrantes do grupo recrutavam pessoas dispostas a ceder contas bancárias pessoais e empresariais em troca de pagamento. As contas eram utilizadas para receber e movimentar valores provenientes não apenas das fraudes com cartões, mas também de estelionatos praticados por terceiros.

O dinheiro passava por diferentes contas, era fragmentado, transferido e posteriormente, sacado. A estratégia, segundo os investigadores, tinha como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a origem criminosa.

Investigação

A investigação apontou divisão de tarefas entre responsáveis pela obtenção dos dados, executores das compras, recrutadores de pessoas para emprestar contas bancárias e integrantes encarregados da movimentação dos recursos. Entre os investigados estão quatro homens do núcleo operacional de Viamão que, segundo a Polícia Civil, exerciam funções distintas na organização.

Um homem de 30 anos é apontado como uma das lideranças do grupo. Segundo a investigação, ele teria participado da obtenção e distribuição dos dados dos cartões, coordenado ações no grupo de mensagens e dado ordens relacionadas à movimentação dos valores. Outro investigado, 32 anos, teria atuado nas compras fraudulentas e no recrutamento de titulares dispostos a ceder contas bancárias, principalmente empresariais.

Um homem de 23 anos é apontado como responsável pela execução de compras e pela movimentação dos valores. Outro, também de 23 anos, teria atuado diretamente na utilização dos cartões fraudados para adquirir mercadorias. Também são investigados uma mulher de 28 anos, que teria participado do recrutamento de titulares de contas e da movimentação dos recursos, e um homem de 29 anos, que prestaria apoio logístico.

Segundo a investigação, ele informou aos demais integrantes que mantinha dois veículos preparados para transportar as mercadorias compradas de forma fraudulenta. Em Minas Gerais, o casal sem antecedentes policiais é apontado como responsável técnico pelos acessos não autorizados ao sistema da operadora. Segundo a Polícia Civil, os dados de conexão utilizados na invasão foram vinculados aos dois investigados.

Os materiais apreendidos nesta quarta-feira serão submetidos a análise técnica. A investigação seguirá para identificar outras possíveis vítimas, integrantes da organização e destinatários dos valores movimentados. 

GZH

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