Nem os petistas votam em Haddad: um quinto dos eleitores do PT prefere Tarcísio, aponta Datafolha

Foto: Caiuá Maia/ Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Fernando Haddad (PT) enfrenta um problema que beira o constrangimento na corrida pela reeleição do governo de São Paulo: nem os próprios petistas querem votar nele. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira, 25, nada menos que 20% dos eleitores do PT — ou seja, um quinto da base partidária — declararam intenção de voto no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Enquanto isso, apenas 4% dos bolsonaristas disseram pretender votar em Haddad, conforme detalhou O Globo em reportagem publicada nesta quarta-feira, 26.
Tarcísio come pelas bordas — e pelo centro
A capacidade de Tarcísio de atrair votos muito além de sua base natural é um dos fatores que explicam sua larga vantagem em todas as pesquisas de opinião. O governador aparece como franco favorito à reeleição em São Paulo e, segundo medições de alguns institutos, pode liquidar a disputa ainda no primeiro turno.
“O Tarcísio consegue morder um pedaço do eleitorado da esquerda e do lulismo, coisa que o Haddad não consegue fazer na direita”, constatou o CEO da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista à GloboNews. A frase resume com precisão cirúrgica o drama do ex-ministro da Fazenda.
Pesquisa Quaest confirma a sangria
Os números da pesquisa Quaest, publicada ontem, reforçam o cenário desolador para Haddad. Entre os lulistas de São Paulo, 11% manifestaram intenção de voto em Tarcísio. Outros 11% dos eleitores que se consideram de esquerda, mas não lulistas, também declararam preferência pelo governador. Haddad, por sua vez, atrai míseros 2% dos votos de bolsonaristas e apenas 4% dos eleitores de direita — uma performance tímida que evidencia sua incapacidade de expandir fronteiras eleitorais.
Campanha de Haddad culpa o “desconhecimento” dos eleitores
Diante dos números pouco animadores, a campanha de Haddad encontrou uma explicação curiosa: segundo reportagem de O Globo, a equipe do petista atribui o cenário ao desconhecimento dos eleitores sobre a ligação de Haddad com Lula. A aposta é intensificar a associação entre os dois — como se o problema fosse falta de Lula, e não excesso de rejeição ao próprio candidato.
Tarcísio mantém distância estratégica de Bolsonaro
Na outra ponta, Tarcísio de Freitas parece se beneficiar de uma estratégia oposta: o distanciamento do bolsonarismo. Um indício apontado pela matéria de O Globo é o material de campanha do governador, produzido em azul — e não no verde e amarelo associado à direita bolsonarista.
Além disso, enquanto Haddad menciona Lula sempre que pode, o governador de São Paulo só falou em Jair Bolsonaro no debate da Band, o primeiro desta corrida eleitoral, e apenas quando provocado pelo adversário. Tarcísio sequer citou uma única vez o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.
O contraste entre as duas estratégias não poderia ser mais eloquente: um candidato que não para de falar no padrinho político e mesmo assim perde eleitores da própria base, e outro que evita o nome do seu aliado mais famoso — e conquista votos até do campo rival.
Contra Fatos

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