O Massacre no Cerro dos Porongos atual município de Pinheiro Machado.
O Massacre de Porongos, ocorrido na madrugada de 14 de novembro de 1844, é um dos episódios mais controversos e trágicos da Guerra dos Farrapos (1835-1845). O evento consistiu em um ataque surpresa das tropas imperiais que resultou no assassinato de mais de 100 Lanceiros Negros desarmados no Cerro dos Porongos (atual município de Pinheiro Machado, RS).
Historiadores apontam o episódio como uma traição planejada entre a liderança farroupilha e o Império para resolver o "impasse" da libertação dos escravos que lutavam na revolução.
O Contexto e a Promessa de Liberdade
Durante os quase dez anos de conflito, os líderes farroupilhas prometeram alforria aos negros escravizados que aceitassem lutar contra o Império brasileiro. Organizados principalmente no corpo de choque dos Lanceiros Negros (guerreiros a cavalo) e na infantaria (soldados a pé), eles se tornaram uma das forças militares mais eficientes da República Rio-Grandense.
A Linha do Tempo da Traição
O Impasse da Paz: Perto do fim da guerra, o Império e os farrapos desejavam selar a paz. Contudo, o governo imperial não aceitava a libertação dos negros que haviam combatido, temendo que isso estimulasse revoltas de escravos no restante do país.
O Acordo Secreto: Para remover esse obstáculo, cartas históricas preservadas no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul indicam que o general farroupilha David Canabarro e o comandante imperial Barão de Caxias estruturaram uma emboscada.
O Desarmamento: Na véspera do ataque, Canabarro ordenou que as munições e armas fossem retiradas da infantaria negra, sob a falsa justificativa de que os insumos estavam estragando. Os soldados negros também foram acampados separadamente dos oficiais brancos.
O Ataque: Sabendo exatamente a localização e a vulnerabilidade da tropa, as forças imperiais lideradas por Francisco Pedro de Abreu (o "Chico Pedro") atacaram na madrugada. Caxias havia dado ordens expressas para poupar o "sangue da gente brasileira", focando a matança estritamente nos combatentes negros.
Consequências e Apagamento Histórico
O massacre destruiu a principal força de resistência da República Rio-Grandense, abrindo caminho para a assinatura do Tratado de Poncho Verde em fevereiro de 1845. Os líderes farroupilhas foram anistiados e mantiveram suas propriedades. Já os cerca de 120 Lanceiros Negros sobreviventes não receberam a liberdade: foram capturados e enviados ao Rio de Janeiro para retornar ao trabalho forçado.
Beira Mar


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