Lula usa caso Saddam para defender Maduro e escancara sua defesa a ditadores
Lula. Foto: Ricardo Stuckert
Lula decidiu que a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos é um atentado à soberania dos países. Para sustentar a tese, foi buscar Saddam Hussein no fundo do baú.
Em entrevista à CNN, o presidente brasileiro atacou a operação americana que tirou Maduro do poder em janeiro e criticou os ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas pelo Caribe. Segundo Lula, os EUA não provaram nada — nem drogas nos barcos, nem narcotraficantes de fato.
“A segurança territorial dos países não existe. Qualquer país agora pode invadir outro país”, disse o petista.
Mas há um detalhe.
Maduro não foi capturado por ser presidente. Foi capturado por ser, segundo as autoridades americanas, um dos chefes do Cartel de los Soles — uma rede de narcotráfico operada de dentro do próprio Estado venezuelano. Ele está preso em Nova York, respondendo por conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armamento pesado.
Lula, no entanto, preferiu ignorar as acusações e ir direto para a analogia com o Iraque.
“Mataram o Saddam Hussein. Até agora não acharam nenhuma arma química. Eu fico me perguntando até quando o mundo vai ficar subordinado a mentiras”, afirmou.
E é aí que a história complica.
A comparação não é tão absurda quanto parece — mas não pelo motivo que Lula imagina. De fato, as armas de destruição em massa usadas como pretexto para a invasão do Iraque em 2003 nunca foram encontradas. Investigações posteriores confirmaram que o Iraque havia destruído seus estoques em 1991.
Agora compare.
Lula usa esse caso legítimo de crítica à política externa americana para blindar um ditador acusado de narcotráfico internacional. É como se a mentira sobre o Iraque automaticamente invalidasse qualquer ação americana, para sempre, em qualquer contexto.
Contra Fatos

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