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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 23/09/2026 as 00:42:02

GOVERNO LULA FICA FORA DE BLOCO DE 15 PAÍSES LIDERADO PELOS EUA PARA CONTER PCC E COMANDO VERMELHO

Brasil não aderiu à articulação do Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos, que anunciou medidas contra 24 organizações criminosas e amplia a cooperação regional no combate ao narcotráfico


A ausência do Brasil da nova ação coordenada do Escudo das Américas, iniciativa impulsionada pelo governo de Donald Trump para ampliar a cooperação regional contra cartéis e organizações ligadas ao narcotráfico, colocou em evidência as diferenças entre Brasília e Washington na política de segurança para o continente. Nesta terça-feira (22), representantes de países participantes se reuniram em Nova York, paralelamente à Assembleia Geral da ONU, enquanto o Brasil permaneceu fora da articulação. Reuters confirma Brasil e México entre as ausências da coalizão.
A iniciativa foi lançada em março e tem como objetivo aproximar governos das Américas em ações contra cartéis, narcotráfico e outras ameaças transnacionais. Documentos e reportagens sobre sua estrutura indicam que o Escudo funciona como um mecanismo de coordenação política e de segurança, e não como um tratado internacional tradicional de defesa coletiva.
Na ação anunciada nesta terça-feira, 15 países concordaram com medidas contra 24 organizações criminosas, incluindo congelamento de bens e restrições de vistos contra grupos e pessoas associadas a eles. A medida representa uma tentativa de coordenar instrumentos financeiros e migratórios entre os governos participantes.
O Brasil, porém, não aderiu à iniciativa. A posição brasileira também se diferencia da estratégia dos Estados Unidos quanto ao emprego do conceito de “narcoterrorismo”. Washington vem ampliando o uso dessa classificação e comparando determinados cartéis a organizações terroristas, enquanto a política brasileira mantém o enfrentamento de grandes facções predominantemente dentro dos marcos jurídicos de crime organizado e segurança pública.
A divergência ocorre em um momento em que os Estados Unidos buscam aprofundar sua presença na política de segurança latino-americana. O governo Trump tem direcionado recursos e cooperação militar para países da região e colocado o combate ao narcotráfico entre suas principais prioridades no Hemisfério Ocidental.

  

Ao mesmo tempo, vários países latino-americanos decidiram aprofundar a cooperação com Washington. Argentina, Equador, El Salvador, Colômbia e Peru aparecem entre os participantes da articulação liderada pelos Estados Unidos, embora o número de integrantes mencionado pelas fontes varie conforme a reunião, declaração ou mecanismo específico considerado.
A posição brasileira está ligada também à defesa da soberania nacional e à resistência a mecanismos que Brasília considere capazes de ampliar a interferência externa em assuntos internos. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, Lula voltou a enfatizar a soberania dos países latino-americanos e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Isso não significa, entretanto, que o Brasil esteja fora de todo combate internacional ao crime organizado. A diferença central está nos instrumentos e no enquadramento jurídico adotados. O governo brasileiro sustenta suas próprias políticas de repressão ao narcotráfico e às organizações criminosas, enquanto evita aderir automaticamente ao modelo de segurança regional proposto por Washington.

 

Politicamente, a decisão abre espaço para um debate interno sobre os custos e benefícios de permanecer fora dessa articulação. Críticos podem argumentar que a ausência reduz oportunidades de coordenação regional contra organizações que operam além das fronteiras nacionais; já a posição defendida pelo governo enfatiza que a cooperação internacional precisa preservar a legislação e a soberania brasileiras. O próprio desenho do Escudo das Américas também recebe críticas internacionais sobre o grau de militarização da política antidrogas.
Assim, é mais preciso falar em divergência estratégica entre Brasil e a coalizão liderada pelos Estados Unidos do que afirmar como fato que o país está “isolado diplomaticamente”. O Brasil efetivamente ficou fora dessa iniciativa específica, enquanto diversos governos da região aderiram; porém, “isolamento” é uma interpretação política sobre as consequências dessa escolha. O episódio evidencia, sobretudo, duas estratégias distintas para enfrentar o crime organizado transnacional e deve continuar sendo tema de disputa política e diplomática no continente.

 Por: 360


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